About Me

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Quem já viu o filme Closer - Perto demais, entenderá perfeitamente esse texto.

"ASSISTINDO AO ÓTIMO "CLOSER - Perto demais", me veio à lembrança um poema chamado "Salvação", de Nei Duclós, que tem um verso bonito que diz: "Nenhuma pessoa é lugar de repouso". Volta e meia este verso me persegue, e ele caiu como uma luva para a história que eu acompanhava dentro do cinema, em que quatro pessoas relacionam-se entre si e
nunca se dão por satisfeitas, seguindo sempre em busca de algo que não sabem exatamente o que é. Não há interação com outros personagens ou com as questões banais da vida. É uma egotrip que não permite avanço, que não encontra uma saída - o que é irônico, pois o maior medo dos quatro é justamente a paralisia, precisam estar sempre em movimento. Eles certamente assinariam embaixo: nenhuma pessoa é lugar de repouso.

Apesar dos diálogos divertidos, é um filme triste. Seco.
Uma mirada microscópica sobre o que o terceiro milênio tem a nos oferecer: um amplo leque de opções sexuais e descompromisso total com a eternidade - nada foi feito pra durar. Quem não estiver feliz, é só fazer a mala e bater a porta. Relações mais honestas, mais práticas e mais excitantes. Deveria parecer o paraíso, mas o fato é que saímos do cinema com um gosto amargo na boca.

Com o tempo, nos tornamos pessoas maduras, aprendemos a lidar com as nossas perdas e já não temos tantas ilusões.
Sabemos que não iremos encontrar uma pessoa que, sozinha, conseguirá corresponder 100% a todas as nossas expectativas sexuais, afetivas e intelectuais. Os que não se conformam com isso adotam o rodízio e aproveitam a vida. Que bom, que maravilha, então deveriam sofrer menos, não? O problema é que ninguém é tão maduro a ponto de abrir mão do que lhe restou de inocência. Ainda dói trocar o romantismo pelo ceticismo, ainda guardamos resquícios dos contos de fada.Mesmo a vida lá fora flertando descaradamente conosco, nos seduzindo com propostas tipo "leve dois, pague um", também nos parece tentadora a idéia de contrariar o verso de Duclós e encontrar alguém que acalme nossa histeria e nos faça interromper as buscas.

Não há nada de errado em curtir a mansidão de um relacionamento que já não é apaixonante, mas que oferece em troca a benção da intimidade e do silêncio compartilhado, sem ninguém mais precisar se preocupar em mentir ou dizer a verdade.
Quando se está há muitos anos com a mesma pessoa, há grande chance de ela conhecer bem você, já não é preciso ficar explicando a todo instante suas contradições, seus motivos, seus desejos. Economiza-se muito em palavras, os gestos falam por si. Quer coisa melhor do que poder ficar quieto ao lado de alguém, sem que nenhum dos dois se atrapalhe com isso?

Longas relações conseguem atravessar a fronteira do estranhamento,
um vira pátria do outro. Não é pela ansiedade que se mede a grandeza de um sentimento. Sentar, ambos, de frente pra lua, havendo lua, ou de frente pra chuva, havendo chuva, e juntos fazerem um brinde com as taças, contenham elas vinho ou café, a isso chama-se trégua. Uma relação calma entre duas pessoas que, sem se preocuparem em ser modernos ou eternos, fizeram um do outro seu lugar de repouso. Preguiça de voltar à ativa? Muitas vezes, é. Mas também, vá saber, pode ser amor."

Interrompendo as Buscas - Martha Madeiros

"O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.

O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.

Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.

Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.

Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto."

Martha Medeiros - O contrário do Amor.

E você, pensa negativamente em alguém antes de dormir, ou dorme feito um anjo? :)

sábado, 18 de dezembro de 2010

“Só olhar para ele, sentar ao lado, ouvir a voz, faz tudo ficar mais feliz.”


Tati Bernardi

“Nunca notou que mulheres como eu não são fáceis de se ter; são como flores difíceis de cultivar. Flores que você precisa sempre cuidar, mas que homens que gostam de praticidade não conseguem. Homens que gostam das coisas simples. Eu não sou simples, nunca fui. Mas sempre quis ser sua. (...)”

Caio Fernando Abreu

“Não há nada que nos dê mais segurança emocional do que não “precisar” dos outros, e sim contar com os outros para aquilo em que eles são insubstituíveis: companhia, sexo, risadas, amizade, conforto. Se ainda não atingiu esse estágio, suba num cavalo imaginário e dê seu grito do Ipiranga. Ficar amarrado à vida alheia faz você viver menos a sua. Nada de se fazer de desentendida só para não se incomodar.Incomode-se. Dependência é morte.”

Martha Medeiros

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Time stand still

Eu viro minha face para o sol

Fecho os meus olhos

Abaixo minhas defesas

Todas aqueles ferimentos

Que eu não posso curar...


Rush


Dia 10.10.2010 pra sempre.

domingo, 19 de setembro de 2010

Cheiro de café.

É... Manhã chuvosa, sozinha em casa e esperando meu café terminar de passar na cafeteira. Esse cheirinho (que sou viciada), o clima (que eu mais gosto) ou sei lá o quê, me deu vontade de escrever. Sobre o quê? Ainda não sei. To deixando fluir. Tem horas que me sinto uma estranha aqui, tudo pela burrice de ter divulgado esse blog. Isso é chato pra quem adora escrever baboseiras e quem é inconstante, como eu. Se você acha que não precisa mudar, ótimo. Mas eu preciso me renovar sempre e experimentar tudo de diferente que está ao meu alcance.

Meu curso acabou e mesmo profissionalmente não servindo pra mim, me fez aprender além da elétrica. Me fez pegar uma experiência que não seria possível adquiri-la com conselhos, só com a vivência. Reaproximou e aproximou pessoas, entre muitas outras coisas que não fizeram me arrepender de tê-lo começado. Mas percebi que ter fugido de trabalho em 2009, complicou totalmente minha vida esse ano. Ainda mais pra alguém que não tem uma base. Óbvio que meus passos serão mais curtos ou que meu caminho será mais longo do que uma pessoa de certa maneira estrutura. Hoje em dia, sei exatamente onde eu quero chegar e sei que vou realizar minhas projeções independente de quanto tempo demore. Não adianta adiar, essa é minha realidade... Minhas fantasias têm que ser guardadas no fundo do meu íntimo e não podem atrapalhar meu mundo real. Às vezes demora pra cair a ficha e perceber que eu to sozinha no caminho, que preciso me virar. Mas cada coisa que eu vivi até agora foi importante pra me enriquecer de outras formas. Acho que cada estrada, atalho, caminho errado que peguei, me tornou uma pessoa muito mais especial e virtuosa. E na verdade, nada na vida é aquele bicho de sete cabeças que você imagina. Temos que encarar sem medo cada desafio e adversidade, e é isso que eu to fazendo. Confesso que, às vezes, meu ceticismo me domina totalmente e me sinto como a pior mortal nesse mundo. Me sinto impotente e isso me detona. Mas, SEMPRE, sempre mesmo, em qualquer momento obscuro na minha vida, eu nasci das cinzas, dando a volta por cima e dessa vez, ou em qualquer vez, não será diferente. Acredito que existem pessoas com vocação para fênixes e eu com toda a certeza sou uma dessas. E no final, eu verei a cara de surpresa de quem não acreditou em mim. Bem, vou parando por aqui, porque vou tomar meu café com bolacha de maçã e canela, rs. : )




Eu estou: Tranquila

Eu quero: Mudanças.

Ouvindo: Angel - Jimi Hendrix

Escrito em: 17/08/2010.